sexta-feira, 8 de junho de 2012


Sou tudo o que ficou daquilo que o vento não levou. Um livro aberto mas nunca lido, sou flor despetalada. Rua molhada depois de uma chuvarada, café com pouco açúcar. Alguém de coração enorme, e sofrido. Que tem a oportunidade de não errar os mesmos erros, mas erra. Sou arco-íris cinza, sou coração sangrado. Boca pintada e olhos encharcados. Sou um talvez no meio de outros alguns. Sou esquecimento para uns, e lembrança para outros. Riso torto, ao se entregar de bandeja. E choro contido, mãos calejadas, peito macio. Sou aquilo que sobrou dos vendavais que passaram. Silêncio, inconstância, horas e temperatura. Sou meu próprio mar, onde navego e me afogo. Tudo e nada, ao mesmo tempo. Apenas sou. Aquela saudade antiga, aquela ferida, o dito pelo não dito… Cicatriz. Grito mudo, palavra apagada, descartada. Sou carta guardada na última gaveta, rasgada, e colada aos pedaços. Fugas, desencontros e demolições. Sou o que me falta. Alguém que permaneceu daquilo que partiu. Um certo, duvidoso. Que espera ser encontrada, no meio dos escombros do seu eu.
Luíza Miranda

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